c’est la vie

Em todos os olhares eu via cumplicidade, não sabia bem de quê mas existiar um toque de cumplicidade no olhar de toda a gente. Quando iamos para casa ela dizia-me:
” – Os meus problemas neste momento resumem-se a homens.”
” – Tomara eu que todos os meu problemas fossem com mulheres, sem elas passo eu bem, ou melhor, passo menos mal.”
” – O A tem algo especial, não sei bem o que é… Mas é algo especial…”
” – Então tens de saber se isso que ele tem de especial é o que tu queres, o que tu precisas…”
” – Não… O que eu preciso é do B, mas com o A era para atinar e começar a fazer planos para o futuro, tipo casa e essas coisas do género… Ahhh depois também há o C, não acredito que este estúpido esteve ao meu lado no Ouriço e não me disse nada, quando se foi embora deu-me um toque… Este C é mesmo um puto, o A é que já é homenzinho mas tem um defeito: está habituado a que as mulheres lhe façam tudo a que eu estou habituada que os homens me façam…”
” – Bem ao menos assim só estragavam mesmo uma casa… (risos das duas partes) Tava a brincar, não te sei ajudar na tua escolha, acho que nem posso mas tens de ter cuidado ou ainda acabas sem nenhum…”
” – Acho que tens razão… Não sei…”
Quando me deitei percebi a cumplicidade patente nos olhares dos que me rodeavam momentos antes, estamos todos à procura de algo e ninguém sabe bem o que é…

Escrito por um_leigo a 23 de Dezembro de 2001, “ela” entretanto casou-se com uma outra letra qualquer mais à frente no abecedário.

Publicado por

Nuno Ferro

Nuno Ferro tem 35 anos, cresceu em Mafra, é programador/DevOp na Sky e também consultor informático freelancer. Militante do PSD mas cada vez tem menos paciência para politiquices.

Um pensamento em “c’est la vie”

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